9 de novembro de 2011

Determinação de coordenadas em Carta Topográficas 1/100.000

Iniciamos esta aula com uma citação de Cortesão e Duarte:

"O conhecimento da cartografia é uma condição da qual o homem nunca poderá fugir, pois, é uma paixão avassaladora e salutar de conhecer a sua própria história. Essa história é contada de forma agradável através do estudo, da seqüência de cartas antigas em que os antepassados registram, com maior ou menor fantasia ou realidade, as suas concepções e conhecimento geográficos, CORTESÃO (1960) e DUARTE (2002)".

Na leitura de coordenadas geográficas ou UTM de um ponto, em uma carta ou mapa, empregamos conhecimentos matemáticos básicos tais como conceitos de segmentos proporcionais e regra de três simples, (IBGE).
A leitura de coordenadas é uma tarefa que deve se executada com cuidado e atenção.
Materiais básicos como:
  •   Carta
  • Régua escolar ou escalímetro;
  • Lápis;
  • Uma Calculadora.
  
Fig. 01: Determinação da longitude e latitude do Retiro Faz. Santa Rosa.
Fonte: Mapa topográfico. IBGE, 1981
 
Procedimentos:

Para iniciarmos, devemos identificar a quadrícula onde nosso ponto Retiro da Faz Santa Rosa está inserido e as coordenadas de referências da quadrícula. Fig 01.

A quadrícula está inserida no seguinte quadrante: 500 km à 700 km (leste – oeste) e 10.000 km à 8.000km (norte – sul) ou 500.000m à 700.000m (leste – oeste) e 10.000.000m à 8.000.000m (norte – sul), fig. 01.

Fig. 02: As coordenadas do eixo (leste-oeste) e (norte-sul).
Devemos observar a escala da carta que estamos usando, que no caso deste exemplo é de 1:100.000 (lê-se um para cem milhões) é representação da terra cem milhões vezes menores, ou seja, a cada 1 centímetro na carta corresponde a 100.000 cm ,1000m no terreno ou 1 km no terreno.

Os valores das quadrículas nas cartas topográficas esses valores estão impressos de forma abreviada. Logo iremos ter que preencher todos os valores referentes a cada casa decimal, Exemplo.

Fig. 03: quadrículas nas cartas topográficas com valores impressos de forma abreviada.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.
No cruzamento entre as duas retas traçadas estará o ponto desejado, determinado pelas coordenadas dadas, ou seja, a Retiro da Faz. Santa Rosa. No mapa topográfico do Rio Parauapebas. IBGE, 1981, fig 03.
Fig. 04: Determinação da longitude e latitude do Retiro Faz. Santa Rosa.

Como estamos trabalhando em uma carta de 1/100.000, cada quadricula pode ser dividida em 4 partes que medem 1cm. Assim, para longitude temos os valores a partir da coordenada de referência: 600.000, 601.000, 602.000, 603.000 e 604.000. Para latitudes temos: 9228.000, 9229.000, 9230.000, 9231.000 e 9232.000.
Fonte: Mapa topográfico. IBGE, 1981


Fig. 05: quadrículas nas cartas topográficas com valores impressos de forma abreviada.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

A quadrícula com divisão em intervalos nos proporciona uma seqüência de coordenadas plano retangular, partindo da menor coordenada para maior. Logo, teremos um esquadrejamento da quadrícula do ponto desejado. Esse esquadrejamento facilitará a determinação da coordenadas plano retangular, fig 03.

Fig. 06: Esquadrejamento da quadrícula do Retiro Faz.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

Para determinamos as coordenadas deveram selecionar os valores verticais e horizontal de referências menores que são:  600.000 e 9228000 e seguida somarmos a distância em metro a partir deste até o ponto desejado.

Para a realização do cálculo, deve-se coincidir o zero da régua com a linha da quadrícula exatamente no ponto “A” e medir a distância até o ponto “B” (Retiro da Faz Santa Rosa) e em seguida do ponto “C” até o ponto “D” (Retiro da Faz Santa Rosa)

Do ponto “A” até o ponto “B” = 2,5cm e como estamos trabalhando com um escala de 1/100.000 temos.
1 cm ------- 1000 m
2,5 cm ------- X
X = 2.500 m no terreno.

Fig. 07: Esquadrejamento da quadrícula do Retiro Faz.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

Logo do ponto “C” até ponto “D” temos os 3,5cm medido no mapa, teremos um total de 3.500m (3,5 x 1000 = 3.500m) na realidade desde essa linha até o ponto Retiro da Faz Santa Rosa.

1 cm ------- 1000 m
3,5 cm ------- X
X = 3.500 m no terreno.

Dessa forma, a coordenação do eixo horizontal e vertical apresentarão  valores de coordenada métricas:

Longitude menor:
Ponto A: 600.000 m + 3.500m = 603.500m.

Latitude menor:
Ponto C: 9228.000 m + 2.500 m = 9230.500 m.


Assim temos as coordenadas do ponto (Retiro da Faz. Santa Rosa):

Fig. 08: Esquadrejamento da quadrícula do Retiro Faz.
Fonte: Elaboração Santos, L.S.

Bibliografia

ALMEIDA, R; PASSINI, E. O espaço geográfico, ensino fundamental e representação. 2ed. SP: Contexto, 1991.
CASTROGIOVANNI, A. A geografia em sala de aula. p. 31 a 47
CEUB/ICPD – Curso de GPS e Cartografia básica. Agosto, 2004.
Discutido Geografia. Revista ano 4 nº 19. Escala Educacional, 2008.
DUARTE, Paulo Araújo – Fundamento de Cartografia. 2. Ed. Florianópolis: Ed da UFSC, 2002.
FERNANDO, Joly. 1917 – A Cartografia. Campinas. 7. Ed. SP: Papirus, 1990.
GIRARD, Gisele – Novo atlas geográfico do estudante / Gisele Girard, Jussara Vaz Rosa. – SP: FTD, 2005.
GORGULHO, Miguel Flori – Revista e ampliada em setembro de 2004.
VESENTINI, José Willian / VÂNIA, Vlach 1950 – Geografia crítica: o espaço natural e a ação humana. 25. Ed.
ver. E atual. SP: Ática, 1999.
http://www.ibge.com.br/
http://www.frigoletto.com.br/

3 comentários:

  1. Olá! Muito boa a sua postagem! Clara e didática. Tenho um projeto que pode ajudar a quem interessar, que é um software livre para cálculos de cartografia. O site é o seguinte: http://code.google.com/p/rosecalc/

    Abraços!

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  2. Muito bom. Obrigada ajudou - me bastante.

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  3. Isso aqui é muito legal! Estou fazendo graduação em arqueologia. Tudo que eu preciso para ajudar-me em Cartografia está aqui.

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Representações Cartográficas

Globo - representação esférica, em escala pequena, dos apectos naturais e artificiais de uma figura planetária, com finalidade ilustrativa.

Mapa - representação plana, em escala pequena, delimitada por acidentes naturais ou políticos-administrativos, destinada a fins temáticos e culturais.

Cartas - representação plana, em escala média ou grande, com desdobramento em folhas articuladas sistematicamente, com limites de folhas constituídos por linhas convencionais, destinada a avaliação de distância e posições detalahadas.

Planta - tipo particular de carta, com área muito limitada e escala grande, com número de detalhes consequentemente maior.

Mosaiso - conjunto de fotos de determinada área, montadas técnica e artisticamente, como se o todo formasse uma só fotografia. Classifica-se como controlado, obtido apartir de fotografia aéreas submetidas a processos em que a imagem resultante corresponde à imagem tonada na foto, não controlado, preparado com o ajuste de detalhes de fotografia adjacentes, sem controle de termo ou correção de fotografia, sem preocupação com a precisão, ou ainda semicontrolado, montado combinando-se as duas características descritas.

Fotocarta - Mosaico controlado, com tratamento cartográfico.

Ortofotocarta - fotografia resultante da transformação de uma foto original, que é um perspectiva central do terreno, em uma projeção ortogonal sobre um plano.

Ortofotomapa - conjunto de várias ortofotocartas adjacentes de uma determinada região.

Fotoíndice - montagem por superposição das fotografias, geralmente em escala reduzida. É a primeira imagem cartográfica da região. É o insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na produção de cartas de métedo fotogramétrico.

Carta Imagem - imagem referênciada a apartir de pontos identificáveis com coordenadas conhecidas, superposta por reticulado da projeção

Revista Geografia, Conhecimento Prático, n 23, p 54. ed. Escala