17 de julho de 2012

UM POUCO DE HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA



A cartografia é um conhecimento que vem desenvolvendo-se desde a Pré-história e eram representações autênticas dos lugares. “Geralmente esses mapas eram usados em locais sagrados, utilizados em rituais e sem pretensão de serem preservados após os eventos” (Francischett)

Os Babilônicos: há milhares de anos confeccionaram entre 2.500 a 4500 a.C., uma placa de barro cozido, que cabe na palma da mão, provavelmente representando a região da Mesopotâmia, mostrando o rio Eufrates e a área circunvizinha, acidentes geográficos e pontos cardeais. Este mapa chama-se Ga-Su e é considerados um dos mais antigos.

Os Indianos: apesar de terem sidos poucos os documentos cartográficos produzidos, a Índia teve grande desenvolvimento nas ciências da matemática.

Os Chineses: A cartografia chinesa era bastante desenvolvida e em muitos lugares foram encontrados documentos cartográficos que comprovam a preocupação dos governantes em mapear as riquezas naturais daquele país. Os chineses além de uma série de informações e símbolos representando acidentes geográficos também se procuraram em traçar rotas marítimas.

“Na china antiga, muitos mapas tinham finalidades cadastrais, demarcatórias de fronteiras, como documentos burocráticos, planos para conservação das águas, meios para fixação de impostos, estratégias militares, reconstrução da geografia” (Duarte, 2002, p.28-29)

Os Gregos: A história dos mapas começou com os gregos, no século VIa.C., e marcou o surgimento da cartografia. Esse povo precisava de direcionamento nas expedições militares e navegações e por isso criou um centro de conhecimento geográfico do mundo ocidental. Foram que estabeleceram, através de trabalhos cartográficos marcado por técnicas evolutivas para época, as bases científicas da moderna Cartografia, marcando assim a sua importância significativa no desenvolvimento de documentos cartográficos.

Anaximandro de Mileto (611 a 547 a.C.) autor do famoso mapa que representava o mundo então conhecido – regiões da Europa e Mar Mediterrâneo e sendo aperfeiçoado por Hecateu, seu contemporâneo.

Erastóstenes de Cirene (276 a 196 a.C.) abriu novos horizontes para a Cartografia quando mediu a circunferência da Terra, obtendo como resultado próximo de 46 mil quilômetros, sendo este, o que mais se aproximou das atuais medidas, que é de aproximadamente 40 mil quilômetros. Além disso, foi o autor de um mapa do mundo que mostrava as áreas habitadas, o qual foi modificado mais tarde por Hiparco de Nicéia (161 a 126 a. C,) e ainda chegou a dirigir a biblioteca do museu de Alexandria.

Cláudio Ptolomeu (90 a 168 a.C.) é considerado um dos marcos da Cartografia antiga. Influenciou o mundo ocidental por muitos séculos através de várias obras que escreveu sobre assuntos das ciências da Terra, Astronomia, Cartografia e um que dizia respeito às projeções.

“Em torno do ano de 1405 a obra de Ptolomeu foi traduzida para o latim, sendo que na época do Renascimento foi reaparecendo aos poucos na Europa, sofrendo, obviamente, algumas modificações em razão da necessidade de atualização, principalmente dos mapas (Duarte, 2002, p.36).

 Os Romanos durante a idade média difundiram um dos principais mapas da Igreja Romana, publicado na obra de Santo Isidoro, bispo de Servilha falecido em 636, foram os mapas conhecidos por Orbis Terrarum ou então mapas “T” no “O”, que tinha as formas circulares e traçados bastante simples. O “T” representava o Mar Mediterrâneo e o “O” correspondia ao oceano circundante.

“Na Idade Média, mapas chamados “T” dentro do “O” mostravam uma Terra circular simbolicamente dividida em três, como a Trindade, com dois braços de mar em T com a Europa à esquerda, a África à direita e a Ásia acima, sede do Paraíso terrestre” (Joly, 2004, p.10).

Os Europeus na Idade média tiveram contato com mapas que começaram a circular na Europa, um tipo de mapa com caráter mais científico e utilitário: o portulano, que muitas das vezes representavam o Mar Mediterrâneo e áreas litorâneas adjacentes. Contudo, entre os historiadores acredita-se que os idealizadores dos portulanos teriam sido os genoveses durante o século XIII, pois, Gênova, no século XIII e XIV, se destacava como um dos principais centros de atividades marítimas na Europa.

As cartas-portulano, que a princípio se limitava à bacia do Mediterrâneo e regiões próximas, foram, durante o século XIV, à medida que se intensificavam as navegações atlânticas, incluindo a costa do noroeste africano até o cabo Bojador e as ilhas oceânicas, de maneira cada vez mais completa ainda que, naturalmente, por vezes imprecisa (Cortesão, 1960, p.32, Duarte, 2002, p.36).

Gerhard Mercator também conhecido por nós por Geraldo Mercator ou simplesmente Mercator foi um dos cartógrafos mais importantes da Europa, comparado a Ptolomeu em sua época, inaugurou uma nova época para a Cartografia e tendo como seu trabalho mais conhecido as projeções cartográficas. “A palavra “atlas”, que hoje utilizamos para designar publicações que reúnem um conjunto de mapas, nos foi legado também por Mercator” (Duarte, 2002, p.37)

Os Franceses tiveram como nome famoso na história dos mapas Nicolau Sanso (1600-1667). Influenciado por Mercator, publicou mapas e atlas. Os franceses através das grandes navegações desenvolveram bastante a Cartografia.

No Brasil a Cartografia no Brasil foi influenciada pelos portugueses desde os primórdios de nossa história colonial. Na era dos descobrimentos, os dados eram armazenados durante as viagens, o que tornou os mapas mais acurados. (Francischett)

“A expansão ultramarina e a navegação marcada profundamente o caráter utilitário da Cartografia de Portugal da época da política colonialista, sendo intensa a produção de mapas marítimos mostrando a configuração das costas e delineamento de continentes e ilhas (Duarte, 2002, p.41)

A vinda da família real para o Brasil foi responsável pelo surgimento de uma Cartografia própria, mas muito influenciada pelas técnicas e estilos europeus. Contudo, através de medidas administrativas começou a organizar suas instituições militares, iniciando assim o rompimento da Cartografia Luso-brasileira e surgindo a Cartografia Imperial, dando início a preparação dos técnicos especialistas que dariam andamento ao trabalho de ordem geográfica e cartográfica no Brasil.

Segundo, FRANCISCHETT, Os indígenas no Brasil, século XIX, também aparecem como produtores de cartas que traçavam os rios e seus afluentes e foram estas cartas também orientaram as primeiras expedições dos portugueses pelo território brasileiro.

Já na era moderna, os mapas eram resultados de uma cartografia mais elaborada, que utilizavam projeções de superfícies curvas, em impressões planas. Nos dias de hoje, contamos com a contribuição de fotos aéreas e dos sistemas de via satélites, imagem sobrepostas, com efeito, relevo, além dos recursos de computadores para a criação dos mapas. Na verdade, as fotografias representam detalhamento, a superfície do solo. Já com os recursos da topografia, e feito o trabalho sobre o terreno e a cartografia é apresentada de uma maneira mais real.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ALMEIDA, Rosângela Doin de. Do desenho ao mapa – Iniciação cartográfica na escola. São Paulo: Contexto, 2006.
ALMEIDA, Rosângela Doin de. Cartografia Escolar (Org.) São Paulo: contexto 2007.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: História, Geografia. Brasília: MEC/SEF, 1997. .
CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.) A Geografia na sala de Aula. São Paulo: Contexto, 1999.
FRANCISCHETT, Mafalda Nesi. A cartografia no ensino-aprendizagem da geografia: Artigo disponível em:<< http://www.bocc.ubi.pt/pag/francischett-mafalda-representacoes-cartograficas.pdf >> acessado em 13 de Setembro de 2009.
JOLY, Fernand. A cartografia. Campinas, Papirus, 1990.
LACOSTE, Yves. A geografia, isso serve em primeiro lugar para fazer a Guerra. Campinas, Papirus, 1988, p.16.
MARTINELLI, Marcelo. A Sistematização da Cartografia Temática. In: ALMEIDA, Rosângela Doin de. Cartografia Escolar (Org.) São Paulo: contexto 2007, p 159.
UZÊDA, Olívio Gondim. Curso de Topografia Militar., Rio de Janeiro: Henrique Velho, 1944.
OLIVEIRA, Lívia de Estudo Metodológico e Cognitivo do Mapa In: ALMEIDA, Rosângela Doin de. Cartografia Escolar (Org.) São Paulo: contexto 2007, p 27.
PASSINI, Elsa Yasuko. Prática de ensino de geografia e estágio supervisionado.
PONTUSCHKA, N. N. PAGANELLI, T. I. e CACETE, N. H.. Para ensinar e Aprender Geografia. São Paulo: Cortez 2007, p. 38, p.44, p.122, p.39, p.215.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 21 ed. São Paulo: Cortez, 2000.
SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Cartografia no ensino fundamental e médio. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.) A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1999.
SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Primeiros Mapas: como entender e construir. São Paulo: Ática, 1995. 4 v.

Um comentário:

  1. muito prestativo tirei um 10 na prova de geografia muito obg cara mando um salve pra mim :)

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Representações Cartográficas

Globo - representação esférica, em escala pequena, dos apectos naturais e artificiais de uma figura planetária, com finalidade ilustrativa.

Mapa - representação plana, em escala pequena, delimitada por acidentes naturais ou políticos-administrativos, destinada a fins temáticos e culturais.

Cartas - representação plana, em escala média ou grande, com desdobramento em folhas articuladas sistematicamente, com limites de folhas constituídos por linhas convencionais, destinada a avaliação de distância e posições detalahadas.

Planta - tipo particular de carta, com área muito limitada e escala grande, com número de detalhes consequentemente maior.

Mosaiso - conjunto de fotos de determinada área, montadas técnica e artisticamente, como se o todo formasse uma só fotografia. Classifica-se como controlado, obtido apartir de fotografia aéreas submetidas a processos em que a imagem resultante corresponde à imagem tonada na foto, não controlado, preparado com o ajuste de detalhes de fotografia adjacentes, sem controle de termo ou correção de fotografia, sem preocupação com a precisão, ou ainda semicontrolado, montado combinando-se as duas características descritas.

Fotocarta - Mosaico controlado, com tratamento cartográfico.

Ortofotocarta - fotografia resultante da transformação de uma foto original, que é um perspectiva central do terreno, em uma projeção ortogonal sobre um plano.

Ortofotomapa - conjunto de várias ortofotocartas adjacentes de uma determinada região.

Fotoíndice - montagem por superposição das fotografias, geralmente em escala reduzida. É a primeira imagem cartográfica da região. É o insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na produção de cartas de métedo fotogramétrico.

Carta Imagem - imagem referênciada a apartir de pontos identificáveis com coordenadas conhecidas, superposta por reticulado da projeção

Revista Geografia, Conhecimento Prático, n 23, p 54. ed. Escala